11 de fev de 2010

Back to real life

Bom dia galera do mal. Sei que andei sumido esse tempo e eu tenho uma boa explicação para isso. E vocês possuem 3 opções quanto à isso: 1- Clicar em continuar lendo e ver o que aconteceu 2- Ignorar esta mensagem e curtir as postagens 3- Ir pro diabo que os carregue.
Simples assim ok (y)

Bom se você foi um dos felizardos que resolveram clicar em continuar lendo agradeço a atenção que dispensa a longa história que vou escrever à partir de agora.
Imaginem a seguinte situação: Você vai viajar, para longe muito longe. Mais precisamente o Piauí, mais precisamente o interior do Piauí e mais precisamente ainda a zona rural do interior do Piauí. Sentiram o drama? Pois é. Eu no alto de minha inocência pensei: -Relaxa amigão, leva o computador a internet e o celular que tudo vai se resolver. Minhas esperanças se dissiparam tão logo o carro que nos levava para minha hospedagem (casa da avó) adentrou a estrada de terra que levava para o vilarejo. Era o ponto inicial do fim do contato com o mundo real. Em suma lá não funciona: Celular, internet (móvel) televisão (somente parabólica) e os orelhões funcionam quando querem. Básicão não?

Bom já que eu estava óbviamente obrigado à abandonar o blog só me restou aproveitar a estadia. Logo de cara fui recebido pelos habitantes comuns da região:

Figura 1-Habitantes comuns da região


Tudo isso enquanto eu exercia minha atividade rotineira durante os 15 dias que estive por lá:

Figura 2-Principal atividade deste que vos escreve



Uma região simples em que o acontecimento do mês foi nossa chegada de São Paulo, foi uma explosão de curiosidade e cumprimentos de supostos parentes. Aos poucos fui descobrindo que de uma forma ou de outra as famílias se entrelaçavam na região o que fazia daquele um local aconchegante, com o passar do tempo passei à visitar meus parentes e conversar, diversão habitual, enquanto tomávamos uns cafés e contávamos alguns ‘causos’. O meu principal causo era a onça que eu matei. Onça que óbviamente nunca existiu.

Figura 3-Claudiney matando uma onça.



Confesso que nos primeiros dias o tédio me acometia de tal maneira que o desespero começou a tomar conta de mim. Achava tudo tão atrasado e as pessoas de certa forma simplistas demais. Passado o tempo percebi que eu estava errado. O esquisito ali era eu com meu cabelo estranho, meus piercings nos mamilos e meu jeito engraçado de falar. Descobri que eu precisava compreender o funcionamento da máquina da região e com um pouco de observação podemos notar que é uma rotina simples e tudo que é simples parece cativante aos poucos fui me acostumando com a região.
Encontrei um guia turístico para me levar de bicicleta para todos os lados do vilarejo que fosse necessário (Ele foi pago com 1 camiseta)

Figura 4-Guia turístico




E ele ficou responsável por me mostrar com o cotidiano do local funcionava. À partir disto a coisa começou a ficar divertida. Muito café, muita história, contos antigos e coisas que aconteceram inclusive com meus pais em suas respectivas infâncias e adolescências, pois é fazem 50 anos no mínimo que a população local é basicamente a mesma.
Talvez a experiência mais incrível foi nadar(ficar sentado não sei nadar) no açude, pois a água quente era agradável e relaxava o suficiente para você voltar para casa e conversar no escuro com alguns vizinhos (algumas casas ainda não possuem energia elétrica).

Figura 5-Transporte comum na região à caminho do açude

Figura 6-Açude



Óbviamente a vida da região não é movida à conversas o futebol no final da tarde é quase uma religião e minhas pernas estão arrebentadas por isto, os jogadores de lá possuem muita disposição. Toda quarta e sexta tem trabalho em terreiros diferentes. O primeiro, na quarta, dentro do vilarejo e você é capaz de ouvir o tambor tocando de sua casa. Algo habitual e comum aos terreiros da cidade. Já o segundo na sexta-feira tem uma atmosfera diferenciada. Ele fica em uma casa de taipa com teto de palha enfiada entre o matagal e você precisa chegar até ele seguindo as fogueiras que são acesas no caminho, caso contrário fica no meio da floresta e segue os tambores com o ouvido. A iluminação à luz de vela garante o ambiente místico e mítico que a sessão propicia.
Os famosos forrós não são tão bons quanto eu pensava, deve ser pelo fato do advento do Techno brega no nordeste. Eu particularmente acho válida toda forma pura de música e o forró é uma forma pura e embrião de muitos ritmos um som que me agrada em determinadas situações, mas o que aconteceu lá comigo foi realmente desagradável fiquei pouco tempo e nem me embebedei.
Outro advento interessante da região é a viagem até a cidade que acontece 3 vezes por semana em um ônibus o qual eu jamais me esquecerei. Sinto que toda vez que necessário pegar ônibus aqui em minha cidade sorrirei de felicidade em saber que um ônibus lotado aqui é quase um luxo para quem viaja de Zé Conrado, vou explicar.

Figura 7-Transp. Zé Conrado (quebrado para nos felicitar)

Figura 8-Bagagem comum no ônibus

Figura 9-Bagagem também comum no ônibus


Não preciso falar muita coisa sobre o que é viajar de Zé Conrado não? Junte todos estes elementos com muita mas muita gente e caixa de compras. Gratificante, not. Pois bem caros colegas não quero ouvir ninguém nunca mais reclamando dos ônibus de suas respectivas cidades.
Não iria mas vou comentar abri o notebook na cidade e acreditem parecia que tinha um defunto na calçada um círculo de gente se juntou em volta do computador e assistia aquilo que parecia ser assustador para eles. Impressionante como algumas coisas corriqueiras para nós é novidade para os outros. Não vou me alongar, foi basicamente isso uma troca de experiências interessantes. Aprendi a dar valor em muitas coisas (principalmente à viagens de ônibus sem cabras ou galinhas) e aprendi que quando você consegue entrar na engrenagem de uma situação tudo se torna divertido. Talvez leve na lembrança o céu limpo de um lugar sem poluição, isolado de tudo e saiba que as pessoas são capazes de viver com tão pouco e de serem felizes sem aquilo que consideramos essenciais.
Bom o fato é que estou de volta e vocês poderão curtir as postagens novamente divirtam-se e sejam bem vindos novamente ao blog. Caso não tenham gostado da minha ausência o problema é essencialmente de vocês.(y)
Abçs Claudiney

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